quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Breve Biografia Gogen Yamaguchi

Estudante de direito, iniciou seus treinamentos com Chojun Miyagi aos 22 anos, após uma experiência prévia em Karate e Kendo. Empenhou-se na difusão do Karate Goju e foi escolhido como sucessor de Miyagi no Japão. Fundou a Associação Internacional Karate Goju-Kai e foi uma das figuras mais importantes na liderança da formação da Japan Federation of All Karate-Do Organizations em 1964. Morreu em 1989, com o 10º Dan em Karate, e ainda figurando com mestre de Yoga e sacerdote Shinto (práticas que influenciaram o desenvolvimetno do Goju, como exemplificado nas técnicas de ibuki –respiração– características de seu estilo).





Gogen Yamaguchi (1909 - 1989)

O verdadeiro significado dos Katas dentro do Karatê

          Kata Saifa

Muitas são as interpretações feitas acerca dos efeitos do treino 
de Kata para o desenvolvimento do praticante de Karatê-Do.

Para alguns não passam de movimentos realizados com o objetivo de 
ganhar taças, para outros uma obsessão por saber o maior número 
deles de modo a mostrar o seu valor como praticantes de Karatê-Do 
e ainda há aqueles que não percebem muito bem qual a sua 
finalidade para o treino, entre muitas outras razões.

Espero que este artigo possa esclarecer certos aspectos da prática
 dos Kata que, para muitos de nós, permanecem num certo 
obscurantismo, tanto devido ao desconhecimento desses aspectos por 
quem os ensina ou ainda a tentativa de criação de uma aura de 
mistério em torno deles.

O Kata pode ser considerado como uma representação de movimentos 
baseados em formas de combater e que também visam o 
desenvolvimento dessas formas.

Qualquer pessoa com o mínimo de habilidade mental e conhecimento 
técnico conseguiria construir um Kata, só que com a diferença, 
em relação aos tradicionais, de provavelmente não cristalizar as 
formas de lutar que outrora se mostraram eficientes. Nem tão pouco 
ter a componente medicinal muitas vezes evocada na construção dos 
mesmos pelos antigos mestres (o Kata Sanchin, por exemplo, 
tradicionalmente possui um componente medicinal através do tipo de
 respirações e dinâmica corporal que utiliza). 

Para a sua correta execução devemos seguir as seguintes regras:

     - Eliminar as distrações externas e concentrar-se apenas na sua 
intenção;

     - Coordenar a respiração e sincronizá-la com a atividade muscular. 
Quando se esticar o braço, expirar até parar, mas conservar sempre 
um percentual do ar. Deve-se ter a atenção de nunca expirar todo 
o ar num só momento. Quando se expira, o nosso corpo torna-se leve.
 Quando inspiramos, o nosso corpo fica enraizado;

     - Ouvir a respiração e ficar atento a todas as partes do nosso 
corpo;

     - Deve haver uma contração muscular constante, mas flexível nos 
seguintes grupos musculares: deltóide, trapézio, grande dorsal, 
dentados e peitorais;

     - Para promover uma respiração diafragmática perfeita, a espinha 
deve estar paralela ao estômago;
- As técnicas são executadas para frente e para trás de modo aos 
cotovelos tocarem na cintura.

     - Ao compreender as normas físicas e metafísicas do duro e do 
suave (Gōjū em Japonês) temos de aprender que é o balanço 
eqüitativo entre os dois que permite triunfar o maior adversário 
de todos, nós próprios.

     - A dureza representa a força material do corpo humano e a 
agressividade de cada um. A suavidade representa a tranqüilidade 
do nosso caráter e a elasticidade em ceder perante uma adversidade. 
Juntos, são atributos que se revelam através de uma análise 
contínua e um compromisso genuíno.

     - Cada um deve opor a força à flexibilidade e vice-versa. Todos 
os movimentos do corpo, incluindo a esquiva e as manobras 
evasivas, devem ser executados com uma respiração correta. O corpo 
deve ser flexível como um galho de salgueiro sujeito a uma ventania; 
ele cede com a força do vento, mas quando esta termina o galho 
espontaneamente volta à sua posição inicial. Quando se inala e o 
corpo se estica, ele parece uma onda gigante sem qualquer 
resistência. No entanto, quando uma posição estável é necessária e 
o ar é expelido dos pulmões enquanto se contraem os músculos, 
ficamos estáticos, como uma montanha.

O Kata é um método ritual através do qual os segredos da defesa 
pessoal são transmitidos de geração em geração. Cada Kata representa 
uma miríade de cenários possíveis de defesa pessoal - enganando-se, 
pois aqueles que separam as técnicas de Kata no 
Bunkai (aplicação do Kata) das técnicas de defesa pessoal como se 
fosse algo de diferente - porém é mais do que uma simples combinação 
de técnicas. Assim, cada Kata é uma tradição única com princípios, 
estratégias e aplicações distintas. As aplicações das formas são 
concebidas para o uso em situações de defesa pessoal de vida ou 
morte e assim podem ser usadas para controlar, machucar, mutilar 
ou mesmo matar alguém se necessário.

Um segundo, mas igualmente importante aspecto do Kata é a sua 
utilidade terapêutica. Os vários paradigmas de imitação dos animais 
e os padrões respiratórios foram utilizados para melhorar a 
circulação sanguínea e a eficiência respiratória, estimular a 
bioenergia (Ki), estender e fortalecer os músculos, fortalecer os 
ossos e tendões e massagear os órgãos internos.

Executar um Kata desenvolve igualmente a coordenação, utiliza 
esforço de torção e promove a rotação do quadril. Assim, vai 
permitir o incremento da biomecânica de cada um e um desempenho 
ótimo utilizando energia limitada. Através da regulação da 
respiração e sincronizando-a com a expansão e contração da 
atividade muscular vamos promover a oxigenação do sangue e a 
aprendizagem de como criar, conter e libertar o Ki. Esta energia 
pode levar a um considerável efeito terapêutico para o corpo, quer 
interna quer externamente.

Quando se executa um Kata corretamente cada um deve promover a sua 
energia corporal e não se cansar excessivamente. Quando em posturas 
baixas, as costas devem estar direitas, os ombros baixos, queixo 
para fora, pélvis puxada para cima, os pés firmemente implantados e 
o corpo flexível de modo a que os canais de energia possam ser 
plenamente abertos e os alinhamentos apropriados cultivados.

O grupo de alinhamentos únicos que são cultivados pelos Kata 
ortodoxos permite a abertura dos canais do corpo permitindo que a 
energia flua espontaneamente. O Ki consegue assim "limpar" o sistema 
nervoso e regular a função dos órgãos internos.
Em resumo, a prática regular dos Kata vai desenvolver um corpo 
saudável, reflexos rápidos e uma técnica eficiente, ajudando a 
preparar uma resposta mais efetiva para situações potencialmente 
perigosas.

Outro aspecto importante quando falamos em Kata é a sua origem 
histórica. Durante a prática dificilmente se tem acesso a estas 
informações e ao propósito real dos Kata que praticamos, criando 
assim um vazio nos praticantes, pois a sua finalidade passa a ser 
"decorá-lo" para obter êxito em exames de graduação e ou competições.

Ao conhecermos a história de um Kata apercebemo-nos das 
circunstâncias em que foi criado, da sua origem, do seu trajeto, 
dos protagonistas, etc... o que nos permite dar sentido a sua 
execução e conhecer o seu propósito na altura em que foi idealizado. 
Além disso, a sua história constitui um estímulo positivo, ao saber 
que foi praticado por mestres que estão separados de nós centenas 
de anos e em circunstâncias muito particulares.

Infelizmente hoje em dia a prática de Karatê-Do passa muito por uma 
aprendizagem incorreta dos Kata, não se objetivando o seu componente
 prático e os pormenores que o constituem. Um Kata precisa ser 
trabalhado, surgindo para nós como uma pedra bruta que precisa ser 
limada. Isto quer pela prática da forma (execução do Kata), ou pela
 sua aplicação prática (Bunkai).

O ciclo muito característico - memorização/exame - tem de ser 
quebrado e é preciso conceber nos alunos e nos instrutores um 
conceito global, vendo cada técnica do Bunkai como uma situação que 
representa uma parte de um suposto combate real que precisa ser 
assimilada (não decorada) e compreendida de modo a surgir 
espontaneamente numa situação real.

A finalidade é também muito importante, quando praticamos um Kata, 
por exemplo, o Naihanchi Shodan é preciso ter consciência que cada 
subida e descida da perna na posição Naihanchi-dachi podem representar 
o quebrar ou o luxar da perna ou joelho do adversário. Este fato 
deve estar na nossa mente ao executá-lo, pois assim poderemos 
compreender o verdadeiro sentido para o qual esta técnica foi 
construída, além de aperfeiçoar a execução de tal movimento, já que 
passamos a ter consciência do seu objetivo.

Outro exemplo é o Kata Sanchin, que representa, segundo o seu nome, 
o combate entre o corpo, a mente e o espírito. Deste modo apesar da 
sua forma não ser muito complicada, o uso da correta respiração, 
contração muscular e movimento durante o condicionamento executado 
por um companheiro torna-o uma prova muito dura de superar fazendo 
pleno uso das três componentes acima mencionadas, derivando daí o 
seu nome – Sanchin ou “Três Batalhas”.

Posto isto, podemos verificar que bastaram dois pequenos conceitos 
(o conhecimento do por que da subida e descida da perna no primeiro 
Kata e do significado do nome da segunda forma) para alterar o nosso 
conceito a respeito dos mesmos e construir a unidade lógica que 
constitui cada Kata.
Ankō Itosu em 1908 numa das suas dez instruções sobre o Karatê-Do 
(conhecido como Tōde na época) afirma:
“A propósito dos Kata é necessário treinar repetindo-os mais vezes 
possíveis. Porém, é absolutamente essencial conhecer o significado 
e a aplicação de cada técnica. É necessário saber que existem 
numerosos ensinamentos teóricos complementares aos Kata para as 
técnicas de ataque, de defesa, de desprendimento e de agarre” 
(ITOSU, 1908)

Enquanto ensinava os seus alunos e explicava as diferenças básicas 
entre as escolas de Itosu e Higaonna, Kenwa Mabuni dava muita 
atenção aos Kata. Acreditava que os Kata, que combinavam técnicas de 
ataque e de defesa, era a parte mais importante do Karatê-Do, e que 
era necessário entender o significado de cada movimento e executá-lo 
corretamente. Kenwa Mabuni foi o primeiro a introduzir o conceito 
do Bunkai-kumite e do Yakusoku-kumite, que demonstram o propósito 
e mostram de forma clara o uso correto de cada Kata. O resultado 
final do treino apropriado do Kata e do Kumite é a possibilidade 
de aplicar as técnicas de Karatê-Do no combate real. A prática dos 
Kata também ajuda a transmitir os conhecimentos neles codificados 
para a geração seguinte.

De acordo com Kenwa Mabuni, o estudante ignorando o Kata e 
praticando apenas o Kumite, nunca irá progredir no Karatê-Do e nem 
irá entender o seu verdadeiro significado.
Taiji Kase, 9º dan de Karatê-Do Shōtōkan, conta que os mestres 
seniores diziam que Yoshitaka Funakoshi (filho do pai do Shōtōkan 
- Gichin Funakoshi), quando fazia um Kata, levava quem estava 
assistindo a perceber uma sensação especial e uma tremenda impressão
 de perigo iminente. Isso os levava a dizer que era assim que se 
deviam fazer os Kata. Também segundo o mestre Kase, todos que 
observam a execução de um Kata devem sentir e notar algo que provêm 
das vibrações da nossa força interior e determinação. Se os que 
observam não sentem nada, o Kata não está sendo bem realizado, é 
como uma "ginástica ou baile".

Ao analisarmos os três parágrafos precedentes que dizem respeitos 
a afirmações de figuras de inegável respeito e conhecimento no 
universo do Karatê-Do, podemos concluir que a prática de Kata deve 
ser constante e séria, que é de extrema importância para a defesa 
pessoal, e também que a forma de executá-lo deve transmitir o poder 
de quem o realiza.

É necessário destacar a grande importância da prática correta dos 
Kata e fazer uma análise deste processo como um meio para atingir 
um objetivo (a eficiência em combate real, melhoramento da condição
 física, etc.) e não encará-los como um fim por si só.

Não devemos admirar um mestre por conhecer muitos Kata, pois 
quantidade nunca significou qualidade. Mais importante é a sua 
qualidade humana e técnica, que faz com que ao entrarem no Dōjō 
a sua presença se sinta de imediato e que quando praticamos com 
eles ou os vemos em ação constatemos o seu enorme potencial.
Devemos considerar que cada um de nós deve procurar a verdade 
daquilo que pratica e não cair no que o grande mestre "Bushi" 
Matsumura relata como:
“Arte marcial do intelectual - "pensamos em diferentes formas de 
treino sem as aprofundar. Conhecemos numerosas técnicas, mas a 
prática é como uma dança sendo incapazes de aplicá-las em combate...”
Arte marcial do pretensioso - "agitamo-nos bastante sem nos 
treinarmos realmente, portanto, falamos muitas vezes das nossas 
façanhas gloriosas, causamos tumultos, desordens e ofendemos os 
outros. Segundo as circunstâncias arriscamo-nos à autodestruição 
ou à desonra da nossa família".

Assim ele acrescenta – “São inúteis as artes marciais do intelectual 
e do pretensioso” - valorizando apenas a arte marcial do Budō.”
Atualmente é fácil ver o quanto a prática do Kata é banalizada, 
não havendo nem a emoção nem a seriedade necessária para a sua 
prática, acabando-se por cair numa análise superficial em vez de 
profunda e completa.
Esperamos com este texto dar voz (com toda a humildade) a uma 
maioria silenciosa que pratica Karatê-Do que por vezes atravessa 
um abismo de desconhecimento em relação a arte que pratica.
---------------------------------------------------------------

Referências:
MAGALHÃES, Mário. Kata – Conceitos e pensamentos. Disponível 
em: <http://www.cao.pt>. Acesso em: 15 de Outubro de 2005.

Dificuldade para o desenvolvimento do karatê



Atualmente, o Kumite significa para muitos Karatecas a expressão máxima 
do Karatê-do. Porém, esta forma de pensamento se constituí em um erro, 
e muitos mestres importantes desta arte marcial advertem para este fato,
 que é a perda do caráter fundamental do Karatê-do, devido a ansiedade 
por ganhar nas competições.
O Karatê-do está perdendo conteúdos essenciais do Budō já que nossos 
esportes ocidentais refletem exatamente nossa sociedade materialista.
 O exercício do Budō se dirige ao interior buscando o aperfeiçoamento 
da personalidade.
"O Karatê-do é um Caminho para a superação física, mental e do próprio Eu".
Esta concepção não pode ser levada a prática sem o Kata.
Por esta razão, os verdadeiros mestres da "arte das mãos vazias" seguem
 considerando o Kata como peça fundamental do Karatê-do, como aquela 
parte que manifesta o caráter real desta arte marcial.
Praticar o Kumite com o único objetivo de vencer os outros em competições
 significa escolher o caminho de certa forma mais fácil e ignorar o que
 resulta ser mais difícil e valioso que é vencer a si mesmo.
Inclusive no Karatê-do moderno, o Kumite não deve substituir o Kata. 
O mestre Nakayama, com muita propriedade, expressa isto da seguinte maneira:
"Kata e Kumite representam as duas rodas de um carro".
Somente o equilíbrio entre Kihon (técnicas básicas), Kumite (combate) 
e Kata (formas) possibilita a correta compreensão do Karatê-do, 
propriamente dito...
Porém, neste contexto não devemos simplificar as coisas: existem pessoas 
que consideram o Karatê-do que busca somente o êxito nas competições como 
um Karate "incompleto"; da mesma forma podemos afirmar que o Kata também 
pode sofrer as conseqüências do seu mau uso, ou da sua utilização em 
primeiro plano para vencer campeonatos. Neste caso também podemos observar
 um aperfeiçoamento ocidental com ênfase no rendimento externo, de maneira 
que a exibição de um Kata se reduz a perfeita apresentação de aspectos 
superficiais: se valoriza somente o aspecto estético da técnica, como por 
exemplo:
"Se o pé esquerdo do Kōkutsu-dachi se coloca exatamente a 90° do pé da 
frente" ou se "a posição dos pés ou das mãos está correta..."
Ou seja, se trata de apresentar um Kata como se fosse um exercício de 
ginástica difícil. É evidente que o aspecto externo deve ter sua 
importância, pois se constitui em um dos requisitos importantes para uma 
boa performance das formas, mas não o único. Até porque mesmo cumprindo 
com estes detalhes técnicos, a exibição de um Kata pode resultar vazia 
e sem vida.
Ao reduzir o Kata a uma prática puramente esportiva, ou seja, alcançar 
o domínio corporal até chegar a uma exibição artística, facilitando assim
 a pontuação do Kata seguindo uma série de critérios, sobretudo para 
aquelas pessoas que nunca compreenderam o verdadeiro sentido dos Kata. 
Porém, desta maneira não é possível encontrar a essência do Kata: a 
cumplicidade da alma, a postura mental, a irradiação do ritmo, a segurança, 
a tranqüilidade e o espírito de luta... elementos que podem ser expressados 
por um Karateka, ainda que lhe falte algum detalhe no aspecto técnico 
externo. Porém, é evidente que tudo isto não pode ser medido tão facilmente 
como os aspectos técnicos, por mais superficiais que sejam.
Nestes elementos estão à chave para a correta compreensão do Karatê-do, 
no entanto não como esporte, mas como caminho para a superação pessoal 
mediante a prática de uma Arte Marcial (Budō) com todas suas 
características específicas que nem sempre estão relacionadas ao esporte.
Assim, o Kata é mais que a soma de uma série de técnicas encadeadas 
que se realizam da maneira mais perfeita possível. Algumas técnicas 
básicas constituem-se no fundamento para uma boa realização do Kata. 
Porém, um bom Kata não é conseguido apenas com técnicas corretas. 
Para que não entendam mal, aqui vai outra comparação com o objetivo 
de esclarecer melhor: Imagine uma pessoa que saiba pronunciar claramente 
cada uma das palavras de um dicionário estrangeiro, este requisito será o 
suficiente para recitar um poema neste idioma de maneira que os ouvintes 
fiquem impressionados ou inclusive comovidos?
O mesmo ocorre com um Kata: as técnicas corretas se constituem em um 
requisito importante, mas é necessário muito mais que isso para que a 
exibição de um Kata possa impressionar ou comover o espectador.
Por tudo isso, se deve cuidar o aspecto espiritual do Karatê-do da mesma 
forma que seu aspecto físico.



O karatê e a saúde


Existem dois tipos de saúde. Uma forma de saúde que a pessoa adquire a 
custa de medicamentos e outra forma mais saudável que se consegue 
levando uma vida mais natural, sem tantos esquemas e condicionamentos 
a que está sujeito o homem moderno. (embora a doença não seja 
privilégio apenas do homem moderno).


Uma pessoa que tenha uma boa alimentação durma bem todos os dias, 
seja alegre, tranqüila, pratique algum esporte, tenha um hobby, 
ou seja, que esteja bem consigo mesmo, terá menor probabilidade 
de adquirir algum mal, do que uma que tenha a vida estressada porque 
seu negócio não dá certo, que coma desordenadamente, que leve uma vida 
sedentária.


Como as Artes Marciais podem ajudar nesta busca?


Como dizem os médicos, terapeutas, uma prática física com constância 
pode levar o homem à longevidade. As Artes Marciais tem esse aspecto 
como um de seus pontos.


Se levarmos em conta nossa constituição física desde o mais denso ao 
mais sutil, o ser humano está composto por ossos, órgãos, vísceras, 
músculos, tendões, sangue. Com a prática das Artes Marciais estaremos 
soltando as tensões musculares, liberando as articulações, corrigindo 
as posturas, melhorando o funcionamento dos órgãos, oxigenando o 
cérebro e o sangue de uma forma que não se alcança com medicamentos.


Soltando as Tensões: em uma prática de Artes Marciais (salvo algumas) 
o primeiro passo para se conseguir realizar bem os movimentos é atingir 
um total relaxamento. Desde o momento do nascimento somos levados a 
pensar e a agir de acordo com o que os outros querem. Por nos anularmos 
assim o corpo cria mecanismos de defesa que são as tensões.


Coluna Vertebral: Considerada e eixo do ser humano, por ela passam 
canais de meridiano, nervos. Por isso quando temos algum problema com 
certeza isso se refletirá na coluna.


A coluna se divide em quatro partes, 3 delas articuláveis e uma fixa:


- Zona Cervical: reflete os problemas da cabeça.
- Zona Dorsal: reflete os problemas da zona média. Desde os pulmões 
até o plexo solar.
- Zona Lombar: reflete os problemas da zona inferior. Problemas 
intestinais, renais, pernas.
- Zona Sacra: Zona não articulável. Reflete os problemas com o nervo 
ciático, problemas sexuais, etc...
Se trabalharmos bem a coluna, seja com massagem e com correção da 
postura teremos uma significativa melhora em todo o organismo.


Nas Artes Marciais é fundamental termos uma boa postura, por isso desde 
as primeiras classes se exige do aluno que comece a corrigir sua 
postura em conseqüência com o passar do tempo ele vai sentindo um 
bem estar, melhora o sono, torna-se mais tranqüilo, sente que seu ritmo
 biológico torna-se mais padronizado, Isso ocorre porque com uma boa 
postura os órgãos, vísceras, ou seja, todo o organismo tem uma melhora 
em seu funcionamento.


Sistema Respiratório: Este é outro ponto que damos muita importância 
nas Artes Marciais. O primeiro ato de um ser que nasce é respirar e 
também é o último, portanto não podemos passar um instante sem respirar. 
Um indivíduo que respire mal, normalmente tem uma vida agitada, enerva-se 
rapidamente, tem pouco poder de concentração, de autodomínio.


Nas Artes Marciais o praticante aprende a respirar de forma completa, 
com todo o seu sistema respiratório desde o baixo ventre até o cérebro, 
oxigenando todo o corpo. Com a prática constante suas atitudes vão 
mudando, melhora-se a concentração, se tem mais clareza mental, além 
disto, o movimento abdominal trabalhará todos os órgãos internos.


Muito mais se poderia dizer a cerca deste tema, em como produz melhoras 
no aparelho digestivo, no sistema cardiovascular, porém o mais 
importante é que o praticante saiba que com a prática marcial ele passa 
a se conhecer, fazendo uma auto-análise e terá técnicas suficientes 
para passar a aplicar a que necessita em algum momento.


----------------------------------------------------------------------


Referências:


INSTITUTO BODHIDHARMA DO BRASIL. As artes Marciais e a saúde. Disponível 
em <www.bodhidharma.com.br>. Acesso em Março de 2006.